PlayMaker School

Como seus alunos reagiriam se fossem convidados a aprender enquanto projetam uma montanha-russa, simulam voos, mergulham em viagens no tempo e destrincham invenções, tudo isso com uma biblioteca de aplicativos e jogos educativos à disposição? É a partir dessa concepção inovadora de currículo e desenho escolar, que traz a educação para o século 21, que nasceu a PlayMaker School. Criada pela GameDesk Institute e financiada pela Bill & Melinda Gates Foundation, a iniciativa pretende emponderar os alunos ao criar uma relação significativa com o conhecimento, por meio da interação, da brincadeira e da construção.

Esse desafio começou em 2008, quando a GameDesk, uma organização de pesquisa e desenvolvimento de games, foi criada por um grupo de alunos e professores da University of Southern California (USC) interessados em estudar e lançar iniciativas para engajar, por meio de recursos tecnológicos, alunos do ensino básico, especialmente aqueles com baixo rendimento escolar. Dois anos depois, eles receberam o financiamento da Bill and Melinda Gates Foundation, com a missão de criar um novo modelo de escola baseado nas pesquisas bem-sucedidas.

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A primeira experiência foi realizada em 2012, com 36 alunos do 6º ano de uma das escolas da rede New Roads, em Los Angeles, nos Estados Unidos. Desde então, o projeto foi testado em outras escolas da rede e atualmente passa por uma reformulação, a fim de ser disponibilizado para o setor público de educação. Além disso, uma franquia está sendo desenhada para redes de ensino privadas, já com interessados nos Estados Unidos e na Argentina.

O modelo proposto pela PlayMaker traz um currículo ao mesmo tempo criativo e rigoroso, que atende aos padrões acadêmicos estabelecidos pelo sistema de ensino local. Ele é dividido em módulos temáticos que integram diferentes disciplinas e incluem atividades como jogos, pesquisas, desenho de projetos, produção de mídia e encenações teatrais, entre várias outras. Os módulos temáticos também possibilitam trajetórias de aprendizado distintas para cada aluno, de acordo com seus interesses e necessidades.

Crédito: Divulgação / Playmaker School

Cada estudante recebe um Mapa da Aventura, uma ferramenta personalizada e interativa em que a sequência de módulos daquele ano letivo é escolhida e monitorada pelo próprio aluno e acompanhada pelos professores, que analisam o progresso e sugerem módulos específicos caso algum déficit de aprendizado seja evidenciado. A plataforma também é útil para os pais, que podem acompanhar o percurso escolar dos seus filhos e quais competências e habilidades estão sendo aprendidas.

Com o Mapa da Aventura, os alunos podem rastrear visualmente onde eles começaram, onde os seus interesses os levaram até então, quais as conexões entre os assuntos abordados nos módulos completados e as possibilidades de trajetos a partir dali. Por exemplo, durante o módulo Ciência Grafite, o aluno grafita representações dos conceitos científicos apresentados pelo professor e pode, durante o processo, optar por desenvolver mais as suas habilidades artísticas ou focar nos estudos científicos, escolhendo como próximo módulo, por exemplo, o de Criação de Montanha-Russa. Nele, os alunos constroem o brinquedo virtual e fisicamente (em uma escala menor, obviamente) e têm que apresentar verbalmente conceitos físicos como energia cinética e potencial.

“Na PlayMaker não ensinamos nada diferente das outras escolas em termos de base curricular. Nós apenas ensinamos de forma distinta, por ser um modelo essencialmente experimental, interativo e pessoal. O que fazemos é pensar quais são as diferentes maneiras em que os conceitos, sejam eles matemáticos, linguísticos ou científicos, podem ser melhor compreendidos de uma forma direta e particular, em que os alunos interagem com uma variedade de experiências e também entre si”, explica Lucien Vattel, fundador e diretor da PlayMaker School, em entrevista ao Porvir.

De acordo com Lucien, o Mapa da Aventura serve como um aprendizado reflexivo sobre a vida. “Enquanto você segue seu caminho, é apresentado a diferentes oportunidades para entender sobre algo ou sobre si mesmo, e o Mapa da Aventura torna isso explícito. É como um espelho, que mostra quem você é e até onde você pode chegar. Um currículo modular permite que o aluno compreenda que os conhecimentos e as habilidades podem ser expandidos e enriquecidos de acordo com as suas próprias escolhas.”

Para analisar o progresso dos alunos dentro desse modelo, o diretor explica que as avaliações são uma mistura de provas tradicionais, de entrevistas com os estudantes e do que foi produzido por eles nos projetos realizados ao longo do ano. “Também temos um sistema online, chamado Ferramenta de Aprendizagem, em que o aluno descreve diariamente o que está produzindo e aprendendo. Esse conteúdo é monitorado pelos professores e compartilhado com os outros estudantes.”

Crédito: Divulgação / Playmaker School

Além de inovações no currículo, a PlayMaker também propõe um novo desenho das escolas, com espaços pensados como de exploração, onde os alunos vão fazer descobertas, jogar, construir e aprender. Nesses ambientes colaborativos, o professor não fica posicionado na frente da turma, mas perambula pela sala, oferecendo conselhos e instruções. Um dos ambientes é o Espaço de Construção, destinado à realização teórica e prática de trabalhos individuais e em grupo. Já a Sala de Aventura abriga todos os recursos tecnológicos para o aprendizado, com telas planas de plasma, sistema de captura de movimento e de projeção no chão. No DreamLab (laboratório de sonhos), as paredes brancas e inclinadas são destinadas a desenhos, pinturas, brainstorming e o que mais a criatividade mandar.

Lucien reconhece que, como em qualquer iniciativa inovadora, a PlayMaker demanda um período de ajuste não só para os professores, que são constantemente treinados e preparados para serem multiplicadores desse modelo, mas também para os alunos. “Um dos maiores ajustes que eles precisam fazer é perceber o quão no controle do seu aprendizado e de suas vidas eles realmente estão. Essa é uma ideia que a sociedade é ótima em negar às crianças e jovens e, por isso, é preciso um certo tempo para que eles compreendam e façam disso um hábito.” Nesse sentido, segundo o diretor, é importante tornar esse modelo de escola acessível a uma diversidade de alunos. “Quanto mais integrada uma escola for, melhor. Ter alunos que vêm de uma variedade de contextos socioeconômicos e demográficos significa um aprendizado mais rico e mais formas de se pensar a educação.”

 

Fonte: porvir.com